MATERNIDADE: Como fui parar no fundo do poço e dei a volta por cima!

Quase ninguém sabe dessa história, poucos amigos e familiares, mas eu já estive no fundo do poço.

Depois de 9 anos de casamento resolvemos “engravidar”…

começamos a tentar e após um ano (período em que os médicos dizem ser normal um casal conseguir engravidar) nada aconteceu! Então que partimos para a investigação do que poderia estar acontecendo e ao final de quase 2 anos de muita frustração, tratamentos  desnecessários, não descobrimos nada! Fomos em busca de informações sobre “fertilização in vitro” mas não era o que eu queria pra mim!

Foi aí que um médico urologista daqui de São José dos Campos disse que meu marido não tinha nenhum problema e que eu deveria procurar um outro ginecologista para ter uma segunda opinião a respeito do nosso caso. Resolvi seguir o conselho dele e alguns meses depois, após ser diagnosticada com ENDOMETRIOSE, consegui engravidar do meu primeiro filho –  após já ter desistido de me tornar MÃE! Fiz uma videolaparoscopia e 4 meses depois eu estava GRÁVIDA!

Tive uma gravidez normal, dei aulas, viajei, fiz o enxoval e o quarto dos sonhos para o meu filho e NOAH veio para nossas vidas com 39 semanas e 4 dias, cheio de saúde e de vida.

Porém, logo na primeira semana de vida dele, eu olhava para o quarto que eu havia projetado com tanto amor e empenho e não via sentido nele e me perguntava: meu Deus, de que adianta esse quartinho lindo se eu não me sinto feliz e realizada! Ele já chorava muito, pra não dizer o tempo todo e eu também. Logo nos primeiros dias descobri que ele não estava se alimentando, não tinha força para sugar o leite… eu não conseguia amamentá-lo!  Precisei da ajuda de uma enfermeira que literalmente o ensinou a sugar o meu leite. Não amamentar não fazia parte do meu repertório de mãe, eu simplesmente me recusava a sequer pensar em não dar de mamá. Ele só chorava e eu me desesperava cada vez mais por me sentir impotente. Os dias foram se passando e a tristeza só aumentava… após um mês de muita luta, ele finalmente conseguiu mamar sozinho sem ajuda da sonda. Porém, ele continuava chorando… eu costumava dizer que ele só tinha 2 teclas: mamar e chorar.

Logo após o nascimento eu mesma constatei que ele tinha refluxo e com 4 meses descobrimos que ele também tinha APLV (alergia à proteína do leite). A primeira vez que ele dormiu sozinho no berço já estava com 6 meses… dormiu durante 30 minutos! Nesse dia liguei para o meu marido chorando para contar.

2012: o ano mais difícil da minha vida!

Eu desconfiava de que havia algo errado, pois sempre ouvia que a maternidade era o momento mais maravilhoso da vida de uma mulher, entretanto, não estava sendo assim comigo. Passei por três fases antes do diagnóstico de uma depressão pós parto:

  1. a fase de achar que eu tinha e que aquilo era inaceitável, pois tomar qualquer tipo de medicação me faria ter que parar de amamentar e isso era inadmissível para mim…
  2. a fase de saber que eu tinha, mas não poder aceitar aquela condição… eu, com depressão?
  3. e a fase de ter certeza do que eu tinha e de que eu estava no fundo do poço e que precisava de ajuda. Foi aí que eu abri o jogo com meu marido, expus tudo o que eu estava passando, os pensamentos negativos, a falta de vontade de fazer qualquer coisa e a incapacidade de fazer qualquer plano para o futuro!

E ele me apoiou e me acolheu!

E lá fui eu procurar ajuda, finalmente, depois de 9 meses de profundo sofrimento.

Foi aí que descobri que a depressão é uma doença! Comecei a tomar um antidepressivo e, depois de 1 semana, eu incrivelmente melhorei. Parecia que haviam “tirado com a mão”. Eu sempre tive muita fé me Deus e sabia que ele estava do meu lado, mas eu mal podia acreditar que eu havia sofrido durante quase um ano e simplesmente depois de uma semana a minha vida havia mudado quase que da água para o vinho. Por que não me medicaram, eu pensei?

Depois disso, consegui uma pessoa para me ajudar (minha família mora a 600 km de distância da minha cidade), meu filho começou a dormir mais que 3 horas durante a noite (fogos de artifício) e eu consegui planejar o aniversário de 1 aninho dele com bastante entusiasmo. A vida melhorou, eu prossegui, segui em frente! Virei a página!

E você, também já passou por algo assim?

Eu adoraria saber…

Mil Beijos, 

Ju Oliveira

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